Trabalho utiliza monitoramento permanente e ferramentas tecnológicas para acompanhar licitações e contratações realizadas com recursos federais
O Tribunal de Contas da União (TCU) realiza acompanhamento contínuo das compras feitas com dinheiro público federal e paraestatal. A fiscalização atual analisou as aquisições realizadas entre junho de 2025 e março de 2026.
O trabalho utilizou tecnologias avançadas e inteligência artificial para identificar problemas e irregularidades. A auditoria focou em verificar se as licitações e contratações diretas estavam sendo feitas de forma correta, utilizando dados de várias fontes, como o Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP), o site Compras.gov.br e o Diário Oficial da União.
Os principais problemas encontrados foram falhas no planejamento das contratações e em pesquisas de preços, além de dados de baixa qualidade sobre as compras. Isso prejudicou a confiabilidade das estimativas de custos e dificultou o controle social, já que descrições genéricas ou imprecisas dos bens e serviços impedem comparações adequadas com os preços de mercado. Além disso, foram identificadas contradições nos editais, como exigências ou quantidades que não batiam com o restante do documento.
Apesar de muitos desses problemas já terem sido apontados em fiscalizações anteriores e estarem sendo tratados, o Tribunal continua monitorando a situação. Um exemplo é a má qualidade dos dados e descrições nos sistemas oficiais, que já foi alvo de determinações anteriores, como no Acórdão 1719/2025 – Plenário.
Um ponto positivo foi o avanço na ferramenta de análise automatizada do TCU, chamada Alice 360, que agora usa inteligência artificial e métodos estatísticos mais sofisticados. Essa tecnologia permite identificar irregularidades mesmo em situações nas quais os dados são imprecisos. O Tribunal também planeja integrar essa ferramenta com outros sistemas, como o Sistema Compras, para melhorar ainda mais o controle das contratações públicas.
Por fim, o TCU destacou a importância de coordenar e integrar as diversas iniciativas tecnológicas para evitar desperdício de esforços e sobreposição de funções. A continuidade desse trabalho, com uma governança centralizada das ferramentas, é essencial para manter a eficiência na identificação de irregularidades e gerar benefícios financeiros para a administração pública. A próxima edição dessa fiscalização, que vai analisar o período de 2026/2027, já foi autorizada pelo Tribunal.
O relator do processo é o ministro Jorge Oliveira.
Fonte: TCU








