A orçamentação de obras públicas em debate no BIM Experience

A segunda edição do BIM Experience colocou em discussão na tarde desta terça-feira, 23, a orçamentação de obras públicas com o BIM.

Durante o painel, o auditor do TCU, André Baeta, apresentou aos participantes do evento o uso do BIM conforme a nova Lei de Licitações; o processo de Desenvolvimento em BIM x Modelo BIM; o orçamento da obra a ser licitada e a extração automática de quantidades dos projetos; a vinculação de um modelo digital em BIM com a tabela do Sinapi; metodologias de orçamentação com tecnologia BIM: as soluções existentes no mercado; comparativo entre os resultados da extração de quantitativos de forma convencional e com um modelo em BIM; e como o órgão deve começar a utilizar a nova tecnologia.

O palestrante também discutiu as falhas no processo tradicional de orçamentação, que é sujeito a seis tipos de falhas frequentes, como informativas, omissivas, compositivas, quantitativas, conceituais e humanas.

Segundo o auditor, o BIM pode ser útil para minorar, mas não eliminar completamente as falhas informativas e quantitativas. Mesmo assim, a redução dessa natureza de erro dependerá de um nível de habilidade extraordinário do projetista ao elaborar o modelo digital da obra em BIM e levantar as respectivas quantidades. “Pouco ou nada o BIM acrescentará para reduzir as falhas omissivas, compositivas, conceituais e humanas no orçamento da obra. Fazemos uma analogia do BIM com um processador de textos. O fato de você redigir um poema no Word, não fará com que escreva igual a Camões, embora detecte automaticamente alguns erros ortográficos. De igual forma, o uso do BIM isoladamente não supre os conhecimentos necessários em engenharia de custos para precificar a obra”, avalia.

Ainda referindo-se à precificação de obras com o BIM, Baeta explicou que há dificuldade para quantificar os objetos que não são modelados, e que no caso de edificações que serão demolidas, o custo provavelmente inútil de modelar o que será destruído inviabiliza o levantamento dos quantitativos. Segundo ele, com o BIM é possível automatizar o levantamento de quantidades, mas não melhorar a sua precisão.

VANTAGENS DO USO DO BIM – O último painel deste segundo dia do BIM Experience, “A experiência do BIM na visão do projetista”, contou com a participação de Maurício Moura, sócio-proprietário e diretor técnico da empresa Fox Engenharia, e Mairton Holanda, gerente de Projetos também na Fox Engenharia, maior empresa de projetos e consultoria em engenharia do Centro-Oeste.

Durante o painel, foram apresentadas as vantagens do uso do BIM, como a melhor execução de projetos, com melhorias na produtividade, eficiência e qualidade dos projetos, além de maior retorno e menos retrabalho, resultando em uma economia considerável.

Entre as dificuldades, foram citados o alto investimento, com a necessidade de equipamentos de TI mais potentes, além dos altos custos com softwares e treinamento, a mudança cultural, a falta de padronização e a mão de obra com maior nível de conhecimento com relação às técnicas construtivas.

 

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